sexta-feira, dezembro 15, 2006

A CARTA







Eram 4 da manhã, vinha a sair do SALTA e, junto à estátua do grande lusense Emídio Navarro, encontrei uma carta fechada, sem endereço. Como sou curioso, abri a carta e comecei a ler o que lá vinha escrito. Em cima tinha o nome da remetente, pessoa que não vou revelar a identidade; em baixo tinha o nome do seu amado que não vou revelar, também, a identidade. E começava assim:

Meu amor:

Quando chegares a casa e abrires a porta do nosso quarto, apesar de teres bebido muito no SALTA, esquece todos os problemas e senta-te no Paraíso, pois vou transformar a nossa cama numa ilha, onde serás um náufrago nada solitário, cercado de prazeres por todos os lados...

Hoje, quando entrares em casa, mesmo a cheirar ao tabaco e a cerveja, eu estarei pronta para te mostrar que a vida é muito curta para que nos privemos dos prazeres carnais e espirituais. Não penses no trabalho, não penses nas dívidas, não penses em dinheiro, não penses em problemas,porque vais exacerbar ainda mais a tua vida que é tão difícil. Pensa apenas que eu estarei pronta para o amor; pronta para fazer de ti o homem mais feliz e satisfeito deste mundo.

Quero sentir o peso do teu corpo sobre mim, apesar da tua barriga estar inchada de tanto beber, quero olhar para o teu rosto e perceber a sensação de êxtase, aquela expressão animal que transparece quando estás à beira de explodir de prazer o que te faz uma incandescência elevadíssima.

Meu Amor : Hoje, quando as tuas mãos estiverem a percorrer o meu corpo, eu quero que te esqueças que há um mundo para além das paredes do nosso quarto. Quero ser o teu mundo, quero ser o teu objecto de trabalho e o teu parque de diversões. Diverte-te à vontade, mas não me aleijes muito. Quero que te esqueças de tudo o que é mau e stressante, quero que te concentres apenas na busca do prazer, do teu prazer, porque sabes que o teu prazer acaba por ser o meu, não é?

Apaga a luz quando entrares e faz pouco barulho, porque os vizinhos já andam chateados com os nossos gemidos.

Beijos com muito amor e carinho.

Alguém adivinha quem é este par amoroso?

2 comentários:

o menino do mar disse...

Há homens com muita sorte, só eu é que não tenho sorte nenhuma!

Arrebenta Canelas disse...

Essa carta era para mim de certezinha absoluta