domingo, dezembro 10, 2006

VALHA-NOS SANTO ANTÓNIO



Através de um rigor espartano, por educação e religião, sempre confiámos nos nossos condutores e dirigentes. O nosso quotidiano disciplinado e sofrido, fez-nos adormecer e acreditar que este cantinho à beira-mar plantado é um verdadeiro oásis de brandos costumes, mas com um vasto refrigério de conflitos, misérias e perversões abundantes.
Surgem de todos os lados as mais variadas notícias. Televisão, rádio e jornais deixam-nos a cabeça à roda com tanta intriga, com tanta inundação avassaladora de relatos, de entrevistas, de programas, de acusações, de suspeições e labéus.
É o Pinto da Costa, é o Bibi, é a Carolina Salgado é o Carlos Cruz, tal qual como foram a Dona Branca, o Alves dos Reis e tantos outros que têm feito parte deste País que parece ter ficado adormecido, deserto das virtudes, dos princípios e valores humanos de que tão ciosos somos no adoçamento da nossa textura como nação e como pessoas. Vale tudo para serem atingidas as metas desejadas e todo o povo sabe que punição não existe. Só muito raramente! No entanto, para quem é pobre, a justiça parece nunca funcionar da mesma maneira. A lei do mais forte impera. Há homens em Portugal que eram pescadores, homens bons e ingénuos, tal como Pedro o apóstolo. O problema terá sido exigirem-lhes demais, pois conduzir o rebanho é árdua tarefa. Como as exigências foram superiores e as tentações foram muitas, o pecado apareceu obra de Mefistófeles - O PERVERSO. E o resultado aí está , inevitável e triste. Antes do galo cantar negaram tudo três vezes.
Há entre todos os homens uma dialéctica de constância e mutabilidade. Como na política, no futebol, afinal como em tudo nesta vida, a memória é curta a gratidão não existe e os homens são cruéis e envolvem-se constantemente em guerras espúrias.
E é deste miradouro frio e solitário que me indigno com a maneira como alguns passam incólumes, enquanto outros que praticam a virtude do silêncio e do comedimento vêm a justiça fugir e a sede por saciar.
Por tudo isto é que me lembro sempre do que disse um dia Martin Luther King Jr. : " Nós vivemos juntos como seres humanos racionais ou morremos juntos como idiotas".
Valha-nos Santo António! Oremos...

2 comentários:

Nokitas disse...

Santo António tudo perdoa.

Arrebenta Canelas disse...

Não há almoços grátis...