sábado, fevereiro 10, 2007

MOÇAMBIQUE - GUERRA COLONIAL


A
TRAIÇÃO
DE
OMAR


Traição de Omar” faz correr lágrimas em Spínola”
Na véspera da partida da delegação portuguesa que ia iniciar em Dar-es-Salam as negociações com uma representação da Frelimo [ 15 de Agosto de 1975] recebeu-se em Lisboa a notícia, de fonte militar, de que uma companhia das Forças Armadas portuguesas havia sido “emboscada e aprisionada” por forças da Frelimo, em Omar, no Norte de Moçambique, junto à fronteira com a Tanzânia.Justamente indignado o Presidente Spínola exigiu que antes de dar inicio às negociações e como condição desse início a delegação da Frelimo apresentasse desculpas à delegação portuguesa, por essa traiçoeira atitude das suas forças.Assim fizemos. Mas com surpresa nossa, Samora Machel começou por pretender desconhecer do que estávamos a falar:– Emboscada de Omar?! Uma companhia aprisionada?!...Por fim fez-se luz no seu espírito:— O quê? Aquela “entrega” dos vossos soldados?E voltando-se para um qualquer assessor da sua delegação:— Traz a cassete...Cassete? Íamos de surpresa em surpresa. Mas a verdade é que a misteriosa cassete veio, foi por nós ouvida, e ouvi-la ficou a constituir uma das maiores humilhações por que terá passado a delegação de um país.O que nós ouvimos foi o registo sonoro de uma “entrega”, não apenas voluntária, mas insistentemente solicitada-Vocês quem são?(Veio a identificação.)- E querem entregar-se porquê?— Porque é hoje o dia! Porque vocês são os libertadores da nossa Pátria! Queremos entregar-vos as nossas armas!Não garanto a exactidão das palavras — cito de memória — mas asseguro o sentido delas.Seguiram-se os abraços, o “pega lá a minha arma, meu irmão”, etc., etc. É claro que não havia lugar a exigência de desculpas. Limitámo-nos a pedir uma cópia da cassete para em Lisboa documentarmos isso mesmo.Mal chegados; a primeira coisa que o Presidente Spínola quis saber de nós foi se a Frelimo tinha ou não apresentado desculpas.— Lamentamos informar que não era caso disso. Trazemos aqui uma cassete...— Uma cassete?!— É verdade! Uma cassete!Logo se pediu um leitor de cassetes. Mas pouco depois de ter começado a ouvi-la, o Presidente mandou abruptamente desligar a maquineta. Manifestamente perturbado. Não sei se invento dizendo que vi brilhar, por detrás do seu inseparável monóculo, uma lágrima de comoção. Ou de raiva? Se aquilo era para ele o que era para mim, inveterado paisano, o que não seria para o lendário cabo-de-guerra
Foi isto que aconteceu em OMAR, também denominada NAMATIL, junto ao RIO ROVUMA, quando o guerrilheiro da FRELIMO, SALVADOR MUTUMUKÉ, levou os 137 militares portugueses, chefiados pelo Alferes Miliciano Costa Monteiro, para a Tanzânia. Seis heróicos combatentes não se renderam. Foram eles: Sumail Aiupa, Mário Moiteiro, Joaquim Piedade, Vasco Ponda, Laquine Puanhera e José Gonçalves.
Qual é o teu combate, ó combatente?
Vem da Terra, do Céu, do Sol ardente,
Vem do teu coração, da tua mente?
Qual é o teu combate, ó combatente?
Não, não sou combatente por gosto próprio,
Combato pelos outros, por um ideal,
Sofro na própria carne o esforço inglório,
Combato por valores, sou racional.
Hoje sou combatente que o Povo aceita,
Amanhã quando o sol o transformar,
Serei o combatente que ele rejeita,
Mas forte e corajoso eu vou restar.
Sou pois um combatente de hoje como de ontem,
Sou um desconhecido, que morto ou vivo
É a memória da Pátria, muito para além
Do mesquinho interesse do mero arquivo.
D´armas na mão combato. Sou combatente
Quando a escrita, a palavra, sem solução
Gritam por mim bem alto. Num repente
Sou esse combatente, o da Nação.
À memória de todos os nossos bravos combatentes que tombaram na Guerra Colonial.
MUEDA - SAGAL - OMAR - NACATAR - MUTAMBA DOS MACONDES - DIACA - MITEDA - CHOMBA - ATIBO - NANGADE - NASSOMBE - MACOMIA - CRUZ ALTA - ÍMBUO e tantos outros locais inolvidáveis.
A CURVA DA MORTE - picada entre MUEDA e MOCÍMBOA DA PRAIA onde em Agosto de 1969, uma emboscada da FRELIMO causou 9 mortos e dezasseis feridos entre as forças portuguesas.
QUERER. PODER . SABER. Uma vez COMANDO serei COMANDO TODA A VIDA porque SER COMANDO É UMA FORMA DIFERENTE DE ESTAR NO MUNDO.

11 comentários:

cfnick disse...

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sombras disse...

siempre habra personas que traicionen y la historia lo demuestra
kiss

lurainbow disse...

Zeca estou a tua espera no DESAFIO :)
Beijinhos coloridos

MY LOVE disse...

Doutor Jivago felivitaciones por el post

BLUE BEAR disse...

si My Love felicitaciones por el texto

RICO FILHO disse...

los traidores siempre estan
bueno el texto

BALEIA AZUL disse...

buen texto

Marco Gata disse...

la historia y la traicion

BREDAMAGIA disse...

que bien Zeca estan a tu espera...eheheheheh

MRelvas disse...

Caro Camarada "Dr Jivago"

com um abraço COMANDO, te digo que me cairam lágrimas de raiva e dor quando li este teu artigo.Mas há muitos, muitos cobardes que em bicos dos pés cantam hoje de galo...

Aqui deixo para recordar:

Prece de um Pai



Dá-me um filho que seja bastante forte, para saber quanto é fraco, e corajoso, para se enfrentar a si mesmo quando tiver medo; um filho que seja orgulhoso e inflexível na derrota inevitável, mas humilde e manso na vitória.


Dá-me um filho cujo esterno não esteja onde deveria estar a espinha dorsal; um filho que ME conheça e saiba conhecer-se a si mesmo.


Guia-o eu TE suplico; não pelo caminho fácil do conforto, mas sob a pressão e o orgulho das dificuldades e dos obstáculos. Que aprenda a manter-se erecto na tempestade e a ter compaixão dos malogrados.
Dá-me um filho de coração puro e objectivos elevados; um filho que saiba dominar-se, antes de procurar dominar os outros; um filho que aprenda a rir, mas que não desaprenda de chorar; um filho que tenha olhos para o futuro, mas que nunca se esqueça do passado.
E depois de lhe teres concedido todas estas coisas, dá-lhe, eu TE rogo, compreensão bastante para que seja um homem sério sem, contudo, se levar muito a sério. Dá-lhe humildade, SENHOR, para que possa ter sempre em mente a simplicidade da verdadeira grandeza, a tolerância da verdadeira sabedoria, a pequenez da verdadeira força.
Então eu, seu pai, ousarei murmurar:
“NÃO VIVI EM VÃO”.

MRelvas disse...

E vou colocar este texto no Passa-Palavra!

www.comandosdeportugal.net/jornal

ABRAÇO