domingo, janeiro 07, 2007


CRESPO

Rufam tambores pelas laterais do arado,
Será por alguém que vai ou que ficará
Um ritual que a muitos encrespam
A mim causam a curiosidade de escutar.
Não é preciso sair para notar,
Contar de perto os que caem em devaneios,
Tão tolos são que sentem dentro de si
Entidades falsas e coragem a sobrar.
Dizem que os tambores são corações de Deuses,
Pulsando mais que costume, não dá pra ouvir,
E os homens do arado, que amanhã bem cedo,
Amararão os bois na carroça varredeira,
Não pensam nisso, que eles vão atarás.
Fazendo a mesma força que máquina do arado.
Capinam o dia, à noite tocam, à noite cansam,
Vêem-se o dia e a noite tornam a se encontrarem,
E é como se nunca um tivesse visto o ouro,
Estão em transe entre o céu e o lugar.
Pobres criaturas iludidas, pobres.
Quem viria agora chocalhar com eles,
A ficar surdo de tanta impulsão,
Com as batidas loucas das mãos no couro.
Dizem que por lá, de onde vem o torpedo
A alma é o medo de morrer queimada,
De sucumbir a um inferno mais quente
Que os penitentes já vivem a morar.
Deus tem compaixão, por deixá-los crer
Faltando isso eles estariam já sem donos,
E um que quisesse lhes tirar o couro,
Como se faz com a rês no abatedouro
Era só fazer-se desse santo estranho,
Pedir-lhes os que quisesse, a vida até,
Que talvez fosse a mais fácil oferenda,
E se caminharia todo o povo inteiro,
Rufando tambor, dançando na areia,
A parecer com o vento, dos tufões,
Pés de maia, que a terra abafa,
E a endurece mais que seus corações
.
naenorocha

1 comentário:

Zeca Paleca disse...

Quando se observa e ouve com serenidade somos mais puros e belos.