sexta-feira, abril 27, 2007

AMO-TE LUSO!

A tarde apresta-se para encerrar o dia e dar ao lugar ao cair da noite. É chegada a hora de pegar no meu husky "Kiev", de descer até ao Valinho e tentar calcorrear a distância entre o Luso e a Lameira de Santa Eufémia, passando pela Lameira de S. Pedro e pela Catraia. Estugo o passo e distraio-me do percurso, do suor, do esforço, do tempo e do anoitecer, perdido no balanço doce de problemas, de lembranças e ilusões próximas e distantes. Submerso na recriação dos dias e das coisas, corro para fora mim e para dentro da Vila de Luso. Caio-lhe nos braços e na intimidade. Tomo-lhe o pulso e a respiração. Absorvo-lhe no ar glórias e memórias, sonhos e desenganos, projectos e vontades, anseios e melancolias, dramas e mistérios. Apaixono-me por tudo quanto me rodeia, mesmo que isso não se faça presente na minha consciência. As asas da imaginação desatam-me cicios nos lábios e levam-me pelas ruas da maravilha, do êxtase e da poesia. Luas cheias vêm ao meu encontro, rompendo a escuridão de receios e indefinições. E nesse enlevo me diluo, a ponto de não reconhecer mais a linha da separação. Não sei onde a vila acaba e eu começo. Onde a realidade cede o lugar à fantasia. E sou tudo e todos a uma só voz.
Luso! Pronuncio-te o nome letra a letra; rezo-o e comungo-o em silêncio e de olhos fechados, transido da religiosidade de quem venera mitos e símbolos. E tu, meu Luso, devolves-me um registo vivo e familiar, a falar alto na carne do meu corpo e nas aspirações da alma. Por isso não o digo, o teu nome circula-me no sangue e vem-me à boca em golfadas de encanto e paixão. Para me vivificar.
Como são belos e imensos o rubor e a luz que brotam de ti e me atravessam de misticismo, de fé e de utopia, meu querido Luso! Será alienação? Que me importa, se isso impede a descalcificação da ânsia de viver!
Quão gostosos são os sabores e os temperos que trouxeste à mesa da minha vida! Poder contar com o teu arrimo para superar as barreiras necessárias à sublimação da acidez desafiante da existência. Amparar-me no ensinamento contido na sabedoria muda das águas que correm na fonte de S. João, afirmando que a desventura é passageira e a recompensa é fértil, certa e infinda. E à minha lembrança, quando bebo a água que me purifica a alma e me incendeia o espírito, vêm todos aqueles que por ti lutaram, que te defenderam, mas também me surgem os fantasmas daqueles que não te têm na sua CONTA CORRENTE e que só pronunciam o teu nome vagamente e de tempos a tempos. E como prova de boa-fé aqui lhes deixo um conselho. Nada de encomendar ou permitir invocar o nome do nosso LUSO em vão. É que a vossa CONTA CORRENTE, pobre coitada, anda com o astral muito em baixo. Só atrai anátemas e maus-olhados. Tudo por causa da última ceia.
Alongo-me na corrida e na magia transbordante que me prende a ti e entumece a volúpia de te sorver e habitar para sempre. E, por isso, retumbam antecipadas no meu peito a nostalgia e a saudade de um dia ter que partir e renunciar à gratificação da tua imagem. De não poder ficar contigo até ao final do tempo.
Amar uma coisa significa querer que ela viva, foi o ensinamento que Confúcio nos deixou. Venero-te, adoro-te e bato-te a pala com a determinação tão característica de um militar e, enquanto assim for continuarei a militar na Identificação do poeta:

Desta terra sou feito
Fragas são os meus ossos,
Húmus a minha carne.
Tenho rugas na alma
E correm-me nas veias
Águas maravilhosas.

AMO-TE LUSO!

11 comentários:

Vera Carvalho disse...

Querido Sandokan, adorei ler a tua veneração pelo Luso.Pouco conheço da tua terra, mas percorrendo as tuas palavras fico a amá-la. É bonita essa tua entrega enquanto caminhas e absorves toda a paixão.
Os instrumentos da felicidade já nasceram comigo:)e tenho-os utilizado bem:).
Retribuo com um abraço e um beijo.

Bia disse...

Sandokan,

Isso é que é nutrir grande amor:-) muito bem! Realmente não conheço mas gostaria de conhecer...

Quanto ao comentário que deixaste no meu blog, agradeço as tuas doces palavras mas de facto tenho que admitir que já sou muitooooo feliz... e como sou feliz, depreendo que devo ter aprendido muito bem como utilizar os instrumentos da felicidade... olha, e parece que já mudaram a minha vida, LOL

Beijo, porta-te bem e bom fim-de-semana:-)

Goblin disse...

LUSO! belo local! tens razão!lindo!
bom fim de semana

Laura disse...

Pois um dia quando aí for, vou procurar-te ó sandokan, vou gritar na rádio..estou aquiiiiiiiiiiiii, para que me mostres a tua terra todinha, por alto, claro..Ou pergunto onde é a fonte da felicidade e vais lá ter..Adoro saber que os filhos da terra a amam, a maioria nem quer saber. Eu nasci em valença, dentro das muralhas, saí de lá com um anito e pouco, e não tenho lá familia, assim, não posso dizer que amoa quela terra, a minha terra é a outra que ficou lá abandonada..Muita poesia tenho feito por causa da saudade que me deixou.
Beijinho para ti ó homem guerreiro.

Foxy disse...

Partilho o amor...

Tu não tinha razão, fui despedida mas logo surgiu algo melhor!
Vou mesmo seguir o caminho das artes Sadomaso e Dominar o mundo...ihih


Quero ver quando tu me linka...beijossss

Laura disse...

Ó sandokan, amas o Luso, mas pões lá a foto de uma lusa...russa?? ai ai ai, aqui também temos lindas meninas e bem jeitosonas, não precisam de ir buscar os uniformes à Russia ehhhhhh, realmente bela moça, e que olhos..

MRelvas disse...

FORTE E BONITO.

TAMBÉM GOSTEI DA FOTO DA HUSKY...

Abraços
MR

Just Me...S disse...

A isto se chama amor!!!!!
Muitoooos beijoooos

isadoralmendra disse...

Sandokan, amigo querido, ninguém pode ausentar-se do seu pedaço de terra querido, onde nos vimos crescer, nos tornarmos homens para a vida, levando consido tudo, e o que fica é o que nos mantém mais arraigados por lá. São as raízes, e o chão que as cobre.
Na minha opinião tristonho daquele que não tem uma história prá mostrar e uma estória pra contar, da vida, das suadades, dos sonhos que nos acompanham vida a fora.

Um abraço

Naeno

a minha menina andou postando no meu blog e ficou o nome dela.

Justine disse...

E tens razão para o gritar bem alto...um dia ja fui feliz no Luso.
Beijo te

O Sentir dos sentidos disse...

Amigo Querido Sandokan,

Estivestes em meu espaço, sentiu minha dor, e forças e alento me trouxe. Muito te agradeço por este profundo gesto de solidariedade. Sim meu amigo,eu preciso encontrar forças para continuar viver, eu encontrarei, pois tenho a luz do Senhor Jesus dentro de mim...e, por mais que sejam escuras e frias as noites e os dias, esta chama, esta luz...me iluminará eme aqueçerá. Voces...meus já amigos são também esta luz e esta chama acredite.Obrigada Sandokan, de coração adradeço-te.
Beijo consentido,