quinta-feira, agosto 23, 2007

HOMEM FEITO

Sinceramente? A minha alma descontente
Descendemos das represas perigosas
Arrebatados pelos ventos espessos.
Meu pai me aguarda recostado no esteio da varanda serena.
“Falo firme ao meu filho
Que retorna para sorver minha sangria,
Plainando entre as arcadas sonolentas.
Largo primeiro a esfinge derradeira.
Se escutam chiados da radiolas”

E todos me parabenisam com muita força.
Tenho nas mãos um desafio a olhar:falta-me disposição...
O encargo desta ação a fazer
Pesa muito sobre meu dorso.
E ainda, necessito desiludir
O céu, o inferno, o purgatório.
Serei feito da forma de uma pedra,
A imagem e semelhança de uma dureza.

Balões, foguetes, apertos, abraços.
Meus iguais:
“ Não lhes convencem ao pressentir
O rosto-efeito de suas amigas, pequenas?”
Assim viro-me de vez para Patrícia:
”O movimento provocante de suas ancas...”
Nos tapumes da sala de espera
Esvoaçam madeixas de paixões alheias.
O resto: tios-alados, primos-nada...
“Sim! Não mais nos reveremos
Minhas primas e tias do passado.
As do tempo de agora
Estão rente de nós.
Não a podemos detalhar direito.

Os aliados me apóiam até lá fora.
“Meu pai,
Que é meu filho e meu irmão,
Levo o teu nome à terra inteira,
Já vazei teu sangue por outras veias
Dei o que me destes aos que não tinham
Não me omiti em fazer teus netos que não reconheces mais.
Propaguei a raça de Deus.
O amor, o ódio e a confusão das cores,
Só que desejo parar com essa empreitada.
Passa tua herança a outros
Lança teus quinhões como semente
Aos náufragos perdidos, aos pedintes passantes,
Reprovas os dons de minha amada!”
Embala tuas alas,
Eu vou para a solidão da varanda.
Não me acabo, estou pensativo demais.

1 comentário:

Freyja disse...

siempre tu poesia es bella
besitos