quinta-feira, maio 17, 2007

QUE TREMPE! – repetirá naturalmente, quem lê, cheio de admiração e sem poder conter o riso dizendo:
- “ E ainda há quem se admire e condene, quando algum de nós, indignados com a volubilidade de sua namorada, esposa, ou outra, representa, alguma comédia de ciúme, retirando-se de perto, provocando encrenca, desordem.
Eu, por mim, direi, simplesmente. Ah! o ciúme, o ciúme, o ciúme!... Já houve quem dissesse que é a sentinela avançada do amor, o inferno da alma e muitas outras coisas que metem medo ao mais corajoso conquistador ou mesmo à mais venturosa filha de Eva। Nenhuma definição darei te dão esquisito quão terrível sentimento. “ O Ciúme... o diabo”. Ha Homens de elevada posição social, grandes homens que sacrificaram tudo para não dar um escândalo, transformaram-se, de momento, no mais ridículo instrumento de risos e chacotas. Tem sido ele, esse medonho inferno da alma, a causa de muitas desatinadas loucuras. Contudo, eu tenho ouvido falar numa certa espécie de gente que não tem ciúmes, e numa certa casta de mulheres que se dizem fortes, porque não sabem ou nunca tiveram o mínimo de receio de serem desprezadas pelos seus eleitos, pelos seus escolhidos.
Não creio muito nesta estória. Há gente que sente prazer em mentir, com o único fim de parecer superior aos outros!..As mulheres, principalmente as que têm convicção do quanto valem, pelos dotes físicos ou mesmo morais; as mulheres, nem sempre inconversíveis nessa mentira monstruosa: amar sem ter ciúme. Não falo, está claro, do ciúme que perde a sua verdadeira significação, para ser simplesmente, egoísmo baixo, grosseiro e vil. Falo sim, do ciúme propriamente dito, do receio moderado e natural que temos de que nos tomem ou nos roubem nossa venturosa, ou venturoso, o objeto amado. E é justo, muito justo mesmo esse receio.
Amar sem ter ciúme, é amar sem vida; é amar sem alma, como já li em alguns escritos. Dirão talvez que é falta de absoluta confiança e tal sentimento não deixa de ser impróprio às pessoas educadas, às pessoas civilizadas. Já disse e repito – tudo com exagero, tudo fora dos limites possíveis, é prejudicial. Tudo demais sobra. E daí o ditado tão conhecido e tão usado entre nós – é bom que nem presta, isto é, bom demais, tolo para si próprio e muito bom para os outros, desambicioso, despreocupado.
O ciúme seria um bonito tema para uma palestra literária. E não vão os homens superiores ou as mulheres fortes acharem-no banal. O ciúme, como amor (são irmãos gêmeos), tem ocupado e preocupado todos os homens de gênio, desde os tempos pré-históricos até os nossos dias. É antigo demais, mas não envelhece nunca.
Há, porém, o ciúme dos velhos, como em alguns casos que já presenciei, em que absolutamente não acreditamos e não podemos suportar sem risos. Mas nós rimos de todo e de todos, sem saber muita vez, por rimos!... os velhos (pensamos) não têm o direito de amar e muito menos de ter zelos pelo objeto de seu amor. Tudo lhes negamos, e nem sequer lhes deixamos, na maioria dos casos, o direito de pensar ou de refletir.
Ah! Como deve ser dolorosa a velhice! Os anos enrugam-lhe as faces, o tempo atira-lhe neve sobre os cabelos, as desilusões sufocam-lhe o coração e nós, sempre a rir, ainda a martirizamos com as nossas pilhérias e com os nossos ridículos. O noticiário explora as duas desgraças, o cinema negocia com as suas ingenuidades, os romancistas os literatos devassam as suas fraquezas e os cronistas espirituosos não a deixam em paz. Ridicularizando-a, amesquinhando-a.
Como deve ser horrível a velhice.

1 comentário:

WolfHeart disse...

Em relação a isto, só posso falar por mim e de mim.
Já me senti dilacerado por ciumes da pessoa amada, um ciume quase doentio, mas que de alguma forma era também inflamado pela outra parte, como se, pelo facto de perceber o meu ciume se sentisse mais desejada.
O problema é que nunca tolerei jogos, muito menos com coisas tão sérias como aquilo que sinto. Quando um dia parei e olhei bem para mim percebi que não gostava daquilo que sentia e que isso de alguma forma me transformava numa pessoa que eu não era, que nunca tinha sido até ai.
Foi então que a relação acabou. E digo que foi melhor assim.
Não sinto ciumes porque acredito na liberdade e acredito que alguém só está com alguém porque o deseja.
Não sinto ciumes porque acredito em mim. Porque não quero sentir. Porque é um sentimento quie me destroi o raciocinio. Porque me envenena a alma...
Mas não digo isto por me sentir superior a alguém...
...digo-o porque, quando estes sentimentos afloram acabo por me sentir inferior.

Cumprimentos cordiais