quarta-feira, julho 25, 2007

DO MESMO JEITO

Eu continuo o implacável.
Besta solto numa capoeira.
Relinchei alto na hora do almoço.
Declinei-me para pegar uma concha aberta
Com uma pérola, que me incomodava a visão
Com a incidência do sol sobre ela.
Continuo contínuo, nos mesmos passos,
Com a mesma fome e a mesma sede,
Pronto numa rede só com os olhos de fora.
Quero ver um anjo.
Um anjo prenunciado.
Um anjo que chegou tarde e foi despachado.
Continuo aqui, parado, distante,
Garantida a minha vontade de ir,
E de não me expor aos olhos pelas janelas.
Continuo a besta que lhe tiraram o cabresto
E ela permanece com os cascos sobre o mesmo rastro.
Continuo achando papéis e lápis, facilmente pela casa
E, feito um louco escrevo cartas para minha mãe
Risco todos, e quando se se acabam os papéis,
Passo-me para as paredes.
Continuo aqui, sóbrio,
Com a consciência que só um guindaste pode movimentar.
Continuo aqui, sem amar, sem amor,
Sem esperar, sem olhar para as estradas.
Não me incomodam os aviões que pousam,
Os ônibus que chegam cheirando a distância.
Os barcos passam e eu, irreverente,
Não me presto a um gesto de sequer olhar.
Eu sei que em tudo isso não vem,
Não tem quem eu queria ver chegar.
Continuo o mesmo idiota, que viu o teu retrato
E me danei a chorar de saudade.
Ai, como eu queria ser aquela xícara
Quase já colada em tua boca!
Como eu queria ser a liga que segura os teus cabelos.
Como eu queria ser gente,
Para, igualmente a ti, me explicar,
E ouvir uma sentença de tua boca:
- Entendo o teu amor, entendo o teu jeito,
Entendendo o teu arroubo.
E por já teres comido o pão que o diabo preparou
Eu te perdôo.
Mas vais dormir no alojamento.

4 comentários:

Laura disse...

Pobre naeno, e a tua noiva de portugal que tinha tantas canções para cantares ehhhh, botaste tudo ao ar e assim andarias distraido de todo e anjos nunca te faltariam ehhhhhh

Tem calma moço. Deus é grande e a tua hora de felicidade está perto.
Continua cantando, compondo, eu faço a mesma, escrevo poesias, poemas, versos, cantorias e tudo vai saindo da alma...
Fica bem rapaz...

loureira disse...

Ali em baixo, um gentil senhor, nem imagina o que fez, ao convidar-me a participar. Mas ele vai ver rapidinho. ahahah! Ainda me fecha a porta... acho que não... parece simpático! a ver vamos...

Bem. Encontrei aqui este senhor Naeno, muito triste. Mas onde é que no Luso existe gente triste?! Vi que é brasileiro, mas gosta do Luso. Ou melhor ainda: Pode ter raízes no Luso. E, se tem é Lusense, lusófono, brasilófono... irra! que complicado! pour moi (será que é assim que se diz?! - Ajudem-me gentes do Luso. Aceitem-me! Senão tou tramadinha!

Talvez mandar-lhe umas garrafinhas da nossa água maravilhosa, e logo vê que toda essa tristeza passa. Estas águas fazem milagres! Até os anjos à sucapa, pela calada da noite, aqui vêm beber. Olhe o que lhe digo.

Conheço muito bem estas terras. Estudo por perto. E... já os vi por aqui. Sempre escondidos. Não vá o Naeno aparecer e despachá-los! Que coisa, tadinhos!

Falando com os meus botões: (será que estou a estragar a literatura?! Eu disse... mas convidaram-me...

Agora... os anjos não se despacham. Mas o que é isso?! Quanto muito cortava-lhe as asinhas. Agora, despachar um anjo quando nós estamos com tanta falta deles aqui pelo Luso.

Bem, não sei a que tipo de anjos se refere. Também os existem negros. Se assim for....


Estou a brincar e não levo muito jeito para a coisa! Primeiro vou ter que o ler de fio a pavio e depois depois então talvez continuar a comentar.


Mas olhe por favor. Não me despache mais anjos. Se não os quiser mande-os para mim que não tenho nenhum.


- alegria amigo! alegria de viver é uma coisa muito bonita.

No Brasil o tempo continua bom ou nem por isso?!

(Desculpe a brincadeira.)

O Sentir dos sentidos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Naeno disse...

Eu não estou entendendo nada. Todos os meus post tem comentários excluídos e eu não exclui nenhum. O que está havendo. Eu queria uma explicação por parte dos coordenadores do Blog.

Um abraço
Naeno